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Como a gente mede

Se você trabalha com busca no Brasil, já viu a cena: a página continua bem posicionada e o clique não vem. No topo da SERP apareceu um AI Overview, o bloco de resposta gerada por inteligência artificial que resolve a dúvida ali mesmo. A pergunta óbvia é o tamanho disso. Este dashboard existe para responder com medição, não com impressão.

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O que a gente monitora

A base é uma cesta fixa de mais de 3 mil palavras-chave em português brasileiro, distribuídas em 15 tópicos: telecom e utilidades, e-commerce e varejo, entretenimento e mídia, casa e reforma, alimentação e delivery, viagem e mobilidade, finanças, beleza/moda/fitness, saúde e farmácia, seguros, imóveis, automotivo, educação, empregos e carreira, e governo e serviços públicos.

Duas vezes por semana, a gente consulta o Google para cada uma delas, em desktop e em mobile, e registra se a SERP trouxe AI Overview.

Por que a cesta é fixa

Essa é a decisão de método que sustenta todo o resto do dashboard. Uma série temporal só significa alguma coisa se a régua não mudar: se a gente trocasse as keywords a cada mês, uma alta de presença poderia ser apenas a cesta nova sendo mais propensa a AI Overview, e não o Google mudando de comportamento. Sem base fixa não existe evolução, existe uma sequência de medições diferentes coladas uma na outra.

Por isso são sempre as mesmas keywords, semana após semana. Quando a cesta precisa ser revisada, a alteração é pontual e fica registrada; o que a gente não faz é trocar a base e depois comparar o antes com o depois como se fosse a mesma medição.

O preço disso é real e vale dizer: cesta fixa não capta tendência nova. Termo que estourou este mês não entra sozinho no monitoramento. A gente aceita essa troca porque a pergunta aqui é como a busca está mudando ao longo do tempo, e essa pergunta exige um ponto de referência estável.

Nem toda keyword tem histórico em toda semana. O rodapé do dashboard sempre mostra a semana de referência do que está na tela.

Por que branded e non-branded nunca entram no mesmo número

Cada keyword é classificada como branded ou non-branded, e os dois recortes nunca são somados em um indicador único. O padrão do dashboard é non-branded: é ali que vivem a demanda de categoria, a oportunidade de conteúdo e a evolução real dos AI Overviews.

Non-branded: consultas genéricas. É a visão de trabalho: demanda de categoria, lacunas de conteúdo, evolução de AIO.

Branded: consultas que citam uma marca. Trate como controle, não como performance: o que se mexe aqui costuma ser o marketing e o PR daquela marca, não o trabalho de SEO. O sinal útil é de alerta: AI Overview começando a aparecer em SERP navegacional de marca.

Todos: só para dimensionar o mercado total, e sempre rotulado como incluindo demanda de marca.

O motivo da separação é aritmético: keywords de marca são cerca de 45% da cesta, mas respondem por cerca de 73% do volume de busca. Qualquer agregado combinado é dominado por elas e achata justamente o movimento que interessa.

E a densidade de marca varia muito de um tópico para outro: 72% em governo e serviços públicos, 13% em saúde e farmácia. Por isso o filtro é aplicado dentro do tópico e a coluna “% marca” fica visível no mapa de calor; remover marca reduz drasticamente a amostra de alguns tópicos e quase não mexe em outros.

As duas métricas: presença e estabilidade

Presença: quanto das keywords monitoradas mostrou AI Overview em pelo menos uma coleta da semana. É a pergunta de abrangência: em quantas buscas o Google já está usando IA?

Estabilidade: quanto delas mostrou AI Overview em todas as coletas da semana. É a pergunta de consistência: quando aparece, ele fica?

As duas juntas dizem mais do que cada uma sozinha. Presença alta com estabilidade baixa sugere que o Google ainda está testando naquele recorte; as duas altas indicam que o AIO já virou o padrão daquela SERP. Vale dizer que essa é a nossa leitura dos dados, não uma confirmação do Google.

Os recortes disponíveis

Tudo pode ser filtrado por tópico (saúde vs. entretenimento, por exemplo), por segmento (branded vs. non-branded) e por dispositivo (mobile vs. desktop). É o cruzamento que mostra onde o Google está mais agressivo na adoção de respostas geradas.

A intenção de busca tem quatro valores: informacional, comercial, transacional e navegacional. Manter navegacional separada é o que permite medir AI Overviews alcançando consultas em que o usuário já sabe para onde vai: 34% das keywords branded são navegacionais, contra menos de 1% das non-branded.

De onde vêm as citações

Quando um AI Overview aparece, a gente extrai os sites que ele cita como fonte. O ranking mostra quais domínios o Google mais referencia nas respostas geradas e em quantas keywords diferentes cada um aparece, sempre respeitando o segmento selecionado.

É o recorte mais direto do que mudou: quando a resposta já vem pronta na SERP, a disputa deixa de ser só pelo clique e passa a ser pela citação.

Como a gente conta uma mudança da semana

Uma keyword “ganhou” ou “perdeu” AI Overview em relação à semana anterior em que aquela keyword foi observada, e não em relação à semana anterior do calendário. A cobertura histórica tem lacunas irregulares, e comparar contra uma semana fixa descartaria em silêncio toda keyword ausente dela.

O que estes números não dizem

Para onde isso aponta

Uma semana isolada não diz muita coisa. O que interessa é a série: se a presença sobe de forma consistente em um tópico, o comportamento de busca daquele público está mudando, e a régua de sucesso muda junto, de posição ocupada para conteúdo citado.

Por isso a gente publica o método aberto, com as lacunas explicitadas. O cenário segue em movimento, a nossa leitura vai mudar junto com ele, e manter o histórico registrado é a única forma de saber depois o que de fato mudou.